terça-feira, 22 de setembro de 2009

Um avião de papel



Hoje já é dia dum PAI. O meu, o biológico partiu há alguns anos. Tinha sessenta e três anos. Fumava muito.
Hoje adoptei um de sessenta. Afinal há sempre alguém por aí que nos ajuda, e que fácilmente se pode transformar em pai.
Para todos os pais do mundo, para os que sabem sê-lo, e para os que não sabem, deixo um pedido:
NUNCA SE ESQUEÇAM QUE OS VOSSOS FILHOS PRECISAM DE VÓS.
E não tentem comprá-los.
Dediquem-lhes tempo. Nem que seja quarenta e cinco minutos por semana. Ou se não for possivel, cinco minutos por dia. Olhos nos olhos. Um sorriso, um incentivo, e estarão fazendo mais por eles, que se lhes comprarem playstations e outros brinquedos afins.
Por acaso já ensinaram aos vossos filhos como se faz um avião de papel?

E olhem que esses também voam...

Feliz dia do Pai. E deixem os vossos filhos respirar.
Todos os dias deviam de ser dia do PAI.

O BONSAI tem de ser cuidado

Escrever sobre o Amor, é banal. Mas depender de alguém é brutal.
Então, deixamos de saber se amamos, ou apenas precisamos.

Amar é sentir que conseguimos fazer alguém sorrir, é darmos um pouco do que temos e podemos, e conseguir preencher o vazio que sentimos no outro.

Enxugar a lágrima duma criança, porque caiu, ou foi contrariada, é Amar. Satisfazer a fome a um sem abrigo, é Amar. Visitar um doente no hospital e deixar-lhe algumas palavras de ânimo e conforto é Amar.

Podemos Amar de muitas maneiras, sem que esse sentimento, que todos devemos nutrir pelos outros nos faça sofrer.

O que nos pode e faz sofrer, é a maldade humana.
A mesquinhez. A vingança. O desprezo. A inveja.
Mas isso são sentimentos negativos, que mais fará sofrer quem os sente.

E há pessoas muito más. E são-no conscientemente e gratuitamente. Pelo simples prazer de infligir sofrimento. Doentes. Pobres doentes.


Mas tudo o que se semeia, se vem a colher um dia. Sejam tempestades, ou não....
O equilibrio cósmico está muito bem feito.
Precisamos de amar o planeta. É URGENTE.
Precisamos de amarmo-nos uns aos outros. E darmos um pouco do que nos sobra a quem nada tem já.
E quando digo Amar, digo prestar mais atenção aos que nos rodeiam.
É através desse esquecimento de nós proprios, e de nos virarmos para os outros que está a solução.


HAJA BOM SENSO!


Mas o Homem continua ganancioso, invejoso, intolerante e ainda muito egoísta.


A transfromação deverá começar pela mentalidade, o que levará uma geração inteira para que isso aconteça.
Nós dependemos todos uns dos outros. E quando nos esquecemos disso e batemos com as portas, é mais dificil depois, fazer com que elas se voltem a abrir.
Não fechemos portas. Não levantemos muros. Façamos antes pontes, que nos aproximem.
Não deixemos que seres humanos de outras etnias vivam à parte, à mercê da marginalização da sociedade. 
Acredito que é preciso boa vontade, e é pela tolerãncia, mas também pela acção, que podemos mudar a sociedade em que vivemos.


URGE QUE FAÇAMOS ALGO. Parem de falar e de se continuarem a etiquetar uns e outros, perdendo-se em discussões que a nada levam, senão à divisão.
Todos querem ganhar. Este ano, votos. Mas no fundo, dinheiro, posição, estatuto, motorista, mordomias...


E as crianças? Já se deram conta de que o futuro está nelas?


Todos querem mostrar que são melhores, maiores, os primeiros, os pioneiros.....
O Ego fala sempre mais alto.
E os outros? Afinal aqueles que dependem e de quem há quatro anos dependeram para chegar onde estão?
Este ano vai ganhar a abstenção. E dentro de quatro anos se ainda restar um bocadinho de Portugal, a velha geração de politicos, acabará.

Ficam os novos, a quem a vida lhes foi sempre demasiado fácil, para lutar seja pelo que fôr. Sem ideais...
Vão querer status, mordomias... E não foi isso que lhes ensinaram?

Se não houver Amor entre as pessoas, o Pão não chegará para todos.
É necessário que punhamos todos ao serviço de todos, aquilo que cada um sabe fazer melhor. CONSTRUIR.



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Do AMOR em que pensamos sempre que essa palavra aparece, já
Poetas e escritores, e até mesmo cientistas esmiuçaram esse sentimento, necessidade biológica ou quimica.

Porque se diz que tem muitas formas.
E aparece e desaparece sem depender da nossa vontade.
Há o platónico, o romântico, o sexual, o dependente, o inconsciente, e etc.etc...
Confunde-se com a paixão, com a obsessão. É irracional.
Mas todas essas formas trazem sofrimento, precisamente por contrariarem a razão.
A Paixão é uma doença do foro psiquiátrico, e que tal como a chama dum fósforo apaga rápido.
Pelo menos, assim se deseja. E assim deve ser.
A obsessão é outro desvio do foro psiquiátrico.


Nem este AMOR nem a DEPENDENCIA que ao primeiro está associado são benéficos para a saude mental dum individuo.
Por isso sou apologista do AMOR UNIVERSAL, a que chamo AMIZADE.
Cada vez mais rara hoje em dia. Necessita de cuidados extremos para a sua manutenção.
Comparo-a a um BONSAI...

Quem conseguir manter um BONSAI vivo e em bom estado de saúde, poderá ter condições para ser um Bom amigo, ou para despertar em si ou nalguém aquilo que chamam de AMOR.







terça-feira, 25 de agosto de 2009

Introvertidos, timidos e contidos

Joana fora convidada por uns amigos para uma festa de aniversário
João não lhe apeteceu sair e ela acaba por ir sozinha.
Joana estava farta dos silencios, da timidez, e da falta de tacto de João.
A relação estava por um triz. A comunicação entre os dois tinha acabado havia muito tempo.
Tinham tentado a terapia, mas nao tinha resultado.
Cada vez que Joana saía sozinha sentia-se aliviada, mas ao mesmo tempo desejando que tudo pudesse ter sido diferente.
Ela tentava no mínimo comunicar e ser simpática.
João era um dependente do trabalho e da televisão.
Joana tinha vontade de viver e não se deixar enterrar viva.
E a carencia em que vivia abria caminho para potenciar um envolvimento.
Joana não queria. Joana negava. Mas ninguém manda no sentimentos. E Joana envolve-se.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Falar faz falta...



Há imenso tempo, que João não falava com a mulher.
Fechava-se. E ia entristecendo.
A mulher, por sua vez, também já nada lhe perguntava, por lhe ser incómodo não obter resposta.
Mais do que barreiras, Joana sentia que tinha-se criado um fosso entre ambos.
Joana era tímida, e refugiava-se no silêncio, com medo de ser magoada.
Os silencios tinham começado por incompatibilidade de dialogar, ou de conversar e porque João queria ter sempre a última palavra.
Joana compreendia que João tinha tido uma infância e uma adolescência dificeis.
Carencia de afectos por ter sido afastado para um colégio militar.
Joana sofre e João também.
Joana consciente de que o seu casamento estava afundando, mas lucida, pede ajuda profissional.
João acha que o problema é de Joana e assume que ela tem uma depressão.
Cria-se um equívoco.
Joana é apenas tratada duma depressão.
João continua triste, apagado, silencioso.
Qualquer assunto comezinho e trivial é-lhe penoso falar. Fecha-se mais.
João sofre. Joana sofre, mas afasta-se, e quer viver.
Joana não quer deixar-se ir com o marido, naquele silencio doentio.
Desconhece com quem passou vinte e dois anos da sua vida.
Joana não sabe ajudá-lo, mas quer. Quer salvar a sua relação. Mas sem a concordância de João e a intervenção dum profissional, não consegue.
Joana começa a admitir de que sente uma enorme gratidão por João, mas que o amor se foi, ou está simplesmente adormecido.
Volta a pedir ajuda ao profissional, mas a resposta é conclusiva. Já nada há a fazer, face àquilo que Joana pensa sentir já pelo marido.
E o fosso vai aumentando. E Joana apenas queria ter uma relação normal.
Duas pessoas que se falassem e comunicassem. Conversassem.
Joana sente-se rejuvenescer quando começa a sentir que é capaz de voltar a amar.
Joana sente-se viva. E isso basta-lhe.
Joana é uma pessoa carente de afectos, mas decidiu não querer mais ninguém.
Está cansada de se dar. De tentar proporcionar aos filhos, à familia e aos amigos, aquilo que gostaria de ter para ela.
Mas Joana não desistiu de tentar pôr João a conversar, nem que seja com os amigos.
Ela precisa dele financeiramente dele, ou talvez não precise, mas é mais cómodo.
E João pode vir a precisar dela. Na saúde e na doença.
E o amor? Talvez esteja nesta abnegação, neste conformismo de Joana.
Porque não está certamente no comodismo de Joana, nem no silêncio de João.Mas se não conversarem nem João nem Joana conseguirão voltar a amar e serem felizes.

terça-feira, 28 de julho de 2009

O tempo da árvore...

Que é feito do Romance de outrora?


Os homens sabem levar uma mulher para a cama ( se ela quiser também), mas seduzir, namorar, criar o clima de intimidade para fazer nascer o amor. Eles não sabem.
Eles sabem apaixonar-se. E a paixão é fugaz.
Chega-se aos cem à hora ,em cinco segundos.


Não dá sequer tempo a que as pessoas se conheçam.
Mas eles querem que tudo aconteça muito depressa. E perdem-se. E perdem.


Uma árvore leva tempo, a nascer, a crescer, a ter folhas, flores e até frutos.


Os homens querem colher os frutos, sem sequer ter plantado a árvore.
E mesmo que a plantem, esquecem-se de cuidar dela. Bastar-lhe-á o sol, a chuva, e o desenrolar normal das estações.


Mas não. A árvore não precisa só de água. Nem só de sol. A árvore precisa de tempo.


E os homens não têm tempo.



E sob o fogo da paixão, juntam-se , casam-se, descasam-se, e pensam que isso tudo é o amor.
E nesse tempo, ainda a árvore, não criou as primeiras folhas.


Às vezes esquecem-se da árvore, da sua sombra.


E ela fica ali sempre de pé, dando a sombra, os frutos, mas ali esquecida.
E as folhas começam a cair, mas continua de pé.


E a árvore acolhe as paixões à sua sombra. Observa a pressa dos homens e das mulheres.
E repara que não têm tempo.
E que nunca descobrirão o que é AMAR.


Porque antes do Amor chegar há muito romance para viver....

domingo, 5 de abril de 2009

Ousadia ou coragem?


A propósito de MARIA ADELAIDE COELHO DA CUNHA, uma mulher que embora tenha vivido no principio do século XX, casada há vinte e oito anos, e com quarenta e oito anos de idade, abandona tudo, riqueza e posição social, pelo seu motorista Manuel Claro de vinte e seis anos com quem vai viver para uma aldeola.
O marido interna-a com o aval dos mais conceituados psiquiatras da época, e interdita-a, apoderando-se da sua fortuna, visto ser ela a herdeira do dono do Diário de Noticias.
Foi dada como louca. Louca sim mas de Amor e por amor. Mas não era doida.
DOIDA NÃO!
A certa altura refugia-se na escrita , e escreve: “ As cartas e bilhetes que tenho recebido formam como uma grinalda que me envolve tristemente, amparando-me, dando-me novo alento nesta luta de vida ou morte em que, para salvar o coração, é preciso esfacelá-lo primeiro, em que para conservar a vida, é preciso gastá-lo a pouco.”


E hoje em pleno século XXI, seria diferente?
É bem aceite uma relação que saia fora dos " padrões normais", convencionais, ou socialmente aceites como correctos?
Como reage a sociedade, a família, os amigos ou mesmo os conhecidos quando um casal é composto por uma mulher mais velha dez ou quinze anos do que o homem?
Ou quando é ele que tem mais vinte anos do que ela?
E quando ele é casado? E se tem filhos de anteriores relações?
E quando ambos são casados, com outras pessoas? Mas se apaixonam por outros?
Será que estas pessoas podem ou não viver um grande Amor?
O Amor é eterno enquanto dura. Enquanto é alimentado e acarinhado.
Enquanto há amizade, cumplicidade, e intimidade.
E depois?
Conjugamos o verbo sofrer.
E a vida continua.


E isso do Amor, Schhhhhhhhhhhhhhh!!!! Guardem-no, calem-no, sintam-no, mas finjam que não o sentem. Mas finjam bem.
Porque no século XXI a vida continua a ser um teatro de marionetas.
E as cordas partem sempre pelo lado mais fraco.
E quem falou que o AMOR existe?
Quem é que acredita nisso?
Oh! Santa Ingenuidade!
Acordem, porque essa do LOVE & PEACE , já era…
O Amor só sobrevive na clandestinidade, porque a tradição ainda é o que era, e o preconceito é o principal bloqueador do que se pretende atingir : A felicidade.